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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

E antecipou-se...



Ou cheio de amor,
ou cheio de poesia.
Assim escreve-se bonito.
Não por estar ou ser,
que me encho de escrita bonita,
e sem saber escrever digo:
saudades antecipadas
é sofrimento escolhido sofrer
é dor de ir ou ficar
mas querer ficar ou ir
ao compasso de que se percebe
o peso das asas
que nasceram com a vontade de ir
e descobriram o desejo de voltar
ficar,
estar e
ser
o que se pode ser.
Enfim...
Escolhido, sempre é escolhido,
e o que tem que ser sempre terá mais força.

domingo, 11 de agosto de 2013

Meu maluco


Minha foto preferida

Já conheço ele tem uns vinte tantos anos. E em cada ano gosto mais desse senhor, o nome dele? Carlos Alberto Corrêa de Carvalho, meu pai. Um senhor um tanto peculiar, um homem diferente, um pai único e ser especial.

Pode parece clichê da distância, mas ele me faz uma falta gigante. Domingos, aliais, finais de semana são sempre mais divertidos com ele, são jargões, “E”ditados populares, churrasco e o irritante cheiro de comida desde às seis da manhã, que compõem cada sábado e domingo na minha casa graças à ele.

Hoje, no Brasil, é dia dos pais, e por coincidência é o aniversário dele. Obviamente, pela distância, não posso não fazer nada e como não posso estar com ele, que ao menos um texto e umas fotos sirvam de homenagem ao meu PAI.

Não tenho como descrever ele. É um homem de quase 50 anos de idade, que consegue manter uma felicidade genuína, e apesar de todas as coisas – coisas da vida – continua sendo simples, feliz e com uma estranha pureza, que é o que mais me fascina nele. E um ser diferente, e como minha mãe, meu irmão e eu, é um peixe fora d'água, inconformado, não rancoroso por isso e estranhamente feliz.

Amo meu pai, que em toda minha vida, e talvez sem saber, meu deu vários exemplo. Ele nunca foi aqueles pais de filmes que sentam na poltrona e te dão concelhos, pra mim, foi muito melhor, me deu exemplos. Exemplos, de como me divertir, como ser um homem respeitador, como amar a família e de como as pessoas são diferentes, e por isso, a gente não pode cobrar ninguém a ser igual a nós.

Meu pai da pedagogia hardcore
Diferente ao ponto de fazer bullying com meu irmão e comigo e conseguir a façanha de não nos deixar traumatizado. E com a pedagogia dele a ensinar que a vida não deve ser levada tão a sério, e que mesmo que você seja um adolescente que ao chegar na escola, abre a mochila e encontra um urso de pelúcia que fora colocado por seu próprio pai enquanto você tomava o café da manhã, não lhe deve estragar o dia. E um sorriso, seguido da frase “papai é maluco”, nunca me fez, e nem me fará, sentir vergonha do meu urso de pelúcia.

Ele me faz ter vontade de ser pai. Não, não vou me vingar, mentira que talvez sim, pois como já disse curiosamente pareço muito com esse maluco. Mas, por causa dele e dessas pequenas coisa, vejo que a paternidade pode ser muito divertida e ter filhos pode ser um exercício de melhoramento do mundo.


Então é isso pai, um feliz aniversário, um feliz dia dos pais e que tudo de melhor nesse mundo ainda possa acontecer com o senhor. Te amo, e sem hipocrisia, quero sim, ser um homem respeitador, companheiro, amigo, responsável e bom pai, igualzinho como lhe vejo: imperfeitamente perfeito como todos devemos ser dentro das nossas peculiaridades.

PAI com caps lock
MINHA FAMÍLIA em caps lock


domingo, 4 de agosto de 2013

O quanto custa a vida?

Aliais, o que é a vida? A gente nasce, aprende a falar, cria amizades, laços familiares e se liga emocionalmente às pessoas. Durante esse processo a gente vai crescendo, e socialmente fazendo escolhas, mas nem sempre fazemos as escolhas certas. E certas pra quem? Quem decide o que é certo e o que é errado?

Tínhamos que crescer, entrar em uma universidade pra ter um papel que diga quais são nossas competências e funções sociais, depois deveríamos casar, fazer/ter filhos, ter uma casa, um carro, depois nossos filhos iam sair de casa, íamos envelhecer para então curtir a melhor idade. Afinal, já não seriamos mais mais mão-de-obra, agora é hora de curtir a vida.

Parece o plano perfeito. Tudo perfeitamente calculado por esse sistema tão igual, justo e estável.

Estável ao ponto de criar classes e padrões sociais. Classes separadas por abismos financeiros onde há uma lei em que diz que todos são iguais, mas essa igualdade está somente nos padrões que são impostos multiforme e constantemente à todos de forma isonômica.

TODOS temos que ser iguais. Temos que ter as mesmas roupas, mesmos cabelos, mesmo modo de vida. IGUAIS. Essa é a nossa opção, caso contrário, somos excluídos, expulsos ou simplesmente mortos.

Parece um discurso de um idealista maluco. Mas há fatos que são são capazes de nos surpreender no meio da jornada, levando-nos à esses questionamentos, que são quotidianos, mas nem sempre tão fortes. O que eu to fazendo? Enquanto eu sigo o rumo “normal” da vida, existem pessoas que morrem, matam e enlouquecem, pelo simples fato de não se adequarem ao sistema. Esses, nem sempre mentes extraordinárias, são apenas pessoas incomuns, talvez mais sensíveis, que querem uma vida comum, e por isso acabam sendo vítimas das classes e padrões, e portanto sendo “eternos” inadequados e inconformados.

Às vezes mentes promissoras. [licença para o clichê] Diamantes sem lapidação, pois lapidar é caro e não é acessível à todos. Triste é ver de tão perto isso. Revoltante é olhar o quanto essa sociedade pode ser tão injusta, desigual e corrupta.

Eu quero envelhecer, mas certamente, não quero ser igual. Tenho mais medo da clicheização da vida, do que das frases clichês do meu texto ou do clichê da morte. A única coisa que quero, é que a ténue linha que separa a loucura da sanidade não seja transposta, pois são em momentos como esses tenho certeza que muito perto chego dessa linha e tenho um medo absurdo do que vejo lá do outro lado (seja ele qual for).

**04/08/2013**


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Às vezes acontece

Saudade é coisa que vem. Às vezes a gente tá bem, fazendo as coisas do dia-a-dia, então, do nada ela vem. Palavra chata, confusa, que alegra e entristece ao mesmo tempo. Quase dois anos longe de casa, e hoje, sem dúvidas, acho que é o dia que eu mais to com saudades.

Uma vontade enorme de me teletransportar.

Saudades do Brasil em Portugal

O sal das minhas lágrimas de amor
Criou o mar que existe entre nós dois
Para nos unir e separar
Pudesse eu te dizer
A dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração nesta paixão
Que não tem fim
Ausência tão cruel
Saudade tão fatal
Saudades do Brasil em Portugal

Meu bem, sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento
Sou eu em solidão pensando em ti
Chorando todo o tempo que perdi
Vinicius de Moraes


Mas saudade é a tristeza de ter longe a alegria de ter perto alguém que se ama. E ter alguém que se ama, longe ou perto, é ter alguém para amar, e não há felicidade maior que essa. Agora é curtir essa tristezinha e continuar com os trabalho.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A impontualidade do amor


Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

Martha Medeiros

terça-feira, 9 de abril de 2013

24 anos de mudanças e aprendizados

Alma Serena

Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.

Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.

Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.

Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.
Fernanda de Castro 


Aprender e mudar. Acho que esses foram os verbos que guiaram minha vida até hoje. Sempre achei que 24 anos seria o início da fase adulta, como se fosse uma idade de passagem (aos brasileiros: piadinhas com a idade são desnecessárias). Não sei bem o porquê, mas desde de pequeno penso assim, apesar de ter sido uma criança que não gostava muito de me imaginar adulto e sempre achar que isso estaria relacionado com o trabalho (verbo chato), mas era assim que pensava, e cá estou.

Hoje, 9 de abril de 2013, percebo que bem provavelmente estava certo. Acho que do ano passado até hoje, houve uma mudança, para não dizer amadurecimento (palavra que ainda me dá medo), tão intensa e profunda comigo, que nem sei se consigo dimensionar, e no meio dessas mudanças, há um mundo de duvidas e questionamentos que ainda precisam ser feitos e resolvidos, mas de fato dentre eles há algumas certezas e convicções e a que acho que mais me marcou esse ano foi há que MUDEI.

Isso, mudei. Se não fosse minha fé e minha família, arriscaria em dizer que sou uma pessoa completamente diferente. Em uma lógica simples acho que aprendi e por isso fiz uma pequena lista de algumas coisas que me fizeram crescer. Algumas tristes, MUITAS felizes e todas importantes.

Aprendi que...

Aprender é um processo infinito;
A fé que eu tenho é fundamental na minha vida;
Não tenho tantos amigos;
Não posso confiar tão rapidamente nas pessoas;
Minha intensidade não é a mesmas das outras pessoas;
Abraçar é um dom;
Não preciso de muito para ser feliz;
Não há motivo para guardar sentimentos, por mais que custoso que seja expressá-los;
Não tenho mais medo de ficar velho;
A vida é curta;
Existe muita gente hipócrita nesse mundo;
Ser calmo é melhor;
Sou capaz de mudar de opinião;
Tenho que dar mais ouvido a minha intuição;
Ajudar não é viver o problema dos outros;
Ajudar não é um ato de exímia bondade;
Nada me encanta mais do que demonstrações verdadeiras de afeto;
Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza;
Gosto de pimenta;
Ainda não aprendi a lidar com pessoas clichês demais;
Gosto de gatos e cachorros;
Quero muito ser pai;
Ficar só é a melhor forma de ouvir-se;
Não preciso ter tanta pressa;
Dizer não sei pode ser muito bom;
Não preciso ser grosseiro;
Amo dias de sol;
Tenho coragem;
Tenho uma missão;
Posso ser mais amável;

Enfim, muitas cosias aprendi e muitas delas estão mudando minha vida, e para terminar esse texto trago duas músicas, uma do Arnaldo Antunes (que aprendi que gosto muito) e outra da Sinead o'connor (que eu sempre gostei). É isso, eu me sinto muito diferente e “não há o que lamentar quando chega o fim do dia”, apenas nos resta é aprender e tirar boas lições de tudo.


domingo, 24 de março de 2013

Abrace


Acto de abraçar, de apertar entre os braços, geralmente em demonstração de amor, gratidão, carinho, amizade, etc.”

Assim falou-me o dicionário, e por isso eu digo e afirmo: nada como um abraço. Acho ele é uma simples expressão que consegue transmitir um mundo de sentimentos. Um simples abraço é capaz de exorcizar, trocar energias, aliviar, aclamar, purificar e deixar as pessoas mais próximas.

Gosto de abraçar, aperto de mão é para os fracos. O abraço é o olá perfeito e um até logo delicioso. Basta ter o mínimo de sensibilidade para perceber e interpretar os sentimentos que se passam entre os braços das pessoas que gostam da gente, ou das fingem. Um abraço bem dado não engana, nele percebe-se a sutileza do que as vezes não se quer falar.

Abraçar é parear corações, aproximar rostos, sentir a respiração, o pulsar do coração e quando tem o tapinha nas costas e beijinho no rosto torna-se muito mais que perfeito.

Então é isso: abrace sem vergonhamente, intensamente, apaixonadamente, abrace por inteiro, como se cada abraço fosse o último. O ultimo com gosto de até logo, e abrace na proporção das virgulas chatas desse texto chato.