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sábado, 17 de setembro de 2016

Não estou me adaptando

Escovar os dentes no final do dia pode ser uma hora muito ingrata. Ao meio dos movimentos circulares, entre molares, caninos e sisos um ponto prateado surge no meio da cabeça, aproximo pra tirar a possível sujeira e eis que aquele pequeno invasor prateado era mais que uma intruso. Tratava-se de um marco. Sim, um marco de que já lá vão quase três décadas de existência. A principio pensei “mais um”, mas conforme os dentes ia escovando o prateado ganhava mais relevância e junto a ele fui percebendo marcas no rosto, olheiras e vincos.

Mas como assim, quando vocês chegaram ai? Um susto e a cara, agora com barba e bigode, aparenta mais ser um estranho do que eu mesmo.

Meu Deus quando foi a última vez que me olhei?

Meu Deus quanto tempo passou?

Olha ali ainda tem aquela marca de catapora. Quantos anos eu tinha?

Acho que uns oito! Foi legal, apesar de coçar um monte, faltei vários dias de aula e depois que fiquei bom ainda era feriado de semana santa, eu assisti todos os desenhos que queria.

Ah! mas se olhar bem ali em cima do lábio e embaixo do nariz ainda tem aquela cicatriz de quando quebrei meu braço. Verdade, são poucas as pessoas que ao quebrarem o braço aos seis anos e também ganham cicatrizes na boca.

É cada marquinha dessas parece ter uma história!

Será que dá pra voltar? O que eu faria de diferente? Será que eu faria algo diferente? Acho que todo mundo pergunta isso!

Um dia desses li que um astronauta havia sido o primeiro homem a viajar no tempo. Por uma questão de velocidade em relação a órbita da terra ele havia adiantado alguns instantes da sua idade. Estranho né?

Enquanto os cientistas se esforçam para que a teoria possa se tornar prática e o homem poder brincar no tempo, hoje meu espelho me levou ao passado e me contou várias histórias. Então do pequeno susto, pra não dizer uma quase neurose de que “MEU DEUS ESTOU FICANDO VELHO” ao olha tenho muitas histórias pra contar, só testifico que estou ficando velho.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Uma pessoa feita de dois


Era um pedaço de gente
remoído, remontado, recortado,
sai pelo mundo
Em busca de algo que o contente...

Respirou
Meditou
pensou
e no meio da multidão avistou

era aquilo que ele queria?
Era e estava lá o tempo todo
mas com medo,
era ele quem se escondia

depois de tanto sofrer
resolveu parar de se esconder.
Abriu a porta
pra ver o que podia acontecer

Agora, que há poesia
Um respira,outro inspira,
A metade da maçã, da laranja
e tudo aquilo que o preenchia

um abraço que se conecta
lá estava o sorriso de farol
o abraço de cais
em uma harmonia completa.


domingo, 24 de janeiro de 2016

Que a vida seja leve


Há uma saída para a espiral da burrada. A vida não foi feita para ser embrulhada o tempo todo e uma hora, como Guimarães Rosa diz, ela sossega.

Às vezes a gente coloca tanto peso numa coisa só, que se aquilo não anda do jeito que a gente quer, parece que todo o resto da vida tá errado. Não é assim né?

Tem horas que é preciso olhar de um plano geral e ver que no meio de um monte de burrada tem alguma coisa boa acontecendo. E tem mais, há coisas que só vamos perceber depois de um tempo, o que nos leva a entender que não adianta ficar criando pandemônios nas nossas vidas, tem que levar na certeza de que uns momentos vão ser bons e outros não e tudo isso faz parte desse negócio chamado vida.

Sim e o que queres dizer com isso?

Que tanto os momentos não bons quanto os bons são necessários, em ambos os casos a gente aprende coisas. E nesse ultimo complicado ano, sabe o que aprendi? carma existe! Não há como não fazer burrada e depois delas feitas, definitivamente não há como fugir das consequências ( que chamo de carma ). Sim, a culpa também é nossa!

E eu devo me sentir mais culpado?

Não. Só acho que quando a gente aprende isso fica mais fácil de encontrar onde foram as burradas e tentar limpar o carma. Ora, se fiz uma besteira ( desde que não seja o suicídio ~exagero~) sempre tem um jeitinho de resolver. Um pedido de desculpa, por exemplo, é um bom começo. Tão simples, mas tão custoso. Reconhecer o erro nunca é fácil, mas é necessário.

Sei que no final das contas, vida vai e segue e se a gente não aprender a dizer o famoso “Não! Me desculpa, eu errei” vão ficando nós na vida que só tendem a aumentar. É uma bola de neve. Aliais, tão importante quanto reconhecer o erro e pedir desculpas, é aceitá-las. O que não quer dizer esquecer, mas entender que os outros, assim como nós, fazem burradas. Todo mundo faz besteira!

Foi difícil, mas também foi bacana aprender isso. Ajudou a desfazer uns nós passados, resolver uns problemas do presente e viver bem o dia a dia. O que não dá, definitivamente, é corrigir erros com novos erros. É só pedir desculpa e aceitá-las.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Coração besta


Um grito preso
um copo vazio
um dedo queimado
sentimento preso

tudo enrolado,
mas preciso falar
gritar,
sei lá.

coração besta,
coração que não tem boca.
mas se engasga 
com as topadas que o pé dá.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A pulga e o cotovelo

Quando eu nasci foi me dado uma pulga.
Não sei ao certo quem me deu,
Mas era uma pulga.
Atrevida como toda pulga,
construiu um sobrado atrás da minha orelha.

Desde muito pequeno qualquer coisa fazia ela se mover
e um incomodo era inevitável.
De tão incomodado que as vezes ficava,
sempre me justificava:
Desculpa, tenho uma pulga atrás da orelha.

Na adolescência, quando as coisas ficam mais inconstante.
Uma vez um sorriso e um abraço sacudiram a pobre da pulga,
ela ficou nervosa, andou de um lado para o outro incessantemente.
Que agonia, senti naquele dia.

E na volta pra casa,
aquela pulga que não cansava.
E de tanto andar e me incomodar
me fez cair.

Um baita de um tombão
De cotovelos no chão.
Um dor que não vou esquecer,
pensei: um sorriso, um abraço
uma pulga atrás da orelha e o resultado :
dor de cotovelo.

Agora tenho dois problemas:
um pulga que nunca saiu de trás da minha orelha
e um cotovelo, que pensou tá curado,
mas hora ou outra lembra que tá machucado.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Preferi cansar mais uma vez


"Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem", Caio Fernando de Abreu.

Não pode desistir. Tem que lutar. Não pode se entregar. Desistência é pra os fracos. Lutar até o fim. Eu sou brasileiro e não desisto nunca. Essa última foi o mote usado para “resgatar a auto estima” do brasileiro em uma campanha publicitária de 2004, lançada pela Associação Brasileira de Anunciantes que inclusive contou com discurso do Lula, que era presidente na altura.

Maldita publicidade.

Prefiro Caio Fernando. Desistir não é sinal de fraqueza, ao contrário requer muita coragem. Desistir é largar de mão o que a gente investiu esforço, mas não resultou em nada. Desistir além de abandonar também pode significar simplesmente mudar de planos.

Há coisas que a gente se esforça, dedica tempo, faz e tenta, tenta e tenta fazer acontecer, mas não acontece. Acho que nada nessa vida depende unicamente da gente, tudo requer um outro e às vezes, simplesmente não acontece. Ai, lutar? Brigar? Demandar mais tempo? Acho que não, né? Melhor é desistir.

O problema é que ao longo de desistências os processos vão se automatizando e desistir vai ficando cada vez mais fácil. Acho que isso é um problema. Penso sempre: de novo. Será que só acontece comigo? Ajuda se souber que acontece com todo mundo, endurecer só é muito ruim. EGOÍSMO!

Sim é egoísmo.

Mas fazer o que? Ser altruísta (com licença da palavra) não tem funcionado, pelo contrário, tem atrapalhado e atrapalhado muito. Não que haja arrependimento, mas acho que deve haver uma pitada de egoísmo.

Esforços... não sei até quando e quanto serão possíveis, mas vou tentando e pra já talvez mais uma desistência, algumas ausências, pouca paciência e muitas demências. 



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A espiral da burrada

Sabe aqueles dias em que você acha que o problema é você? Deixa eu te falar uma cosia: sim é você.  Esse não é um questionamento que surge do nada. Ele normalmente é a ultima tentativa de explicar uma sequência  de quase que intermináveis e recorrentes erros. Mas não se espante! Todo mundo tá na mesma.

Sim. Ta todo mundo na mesma!

E essa é mais uma tentativa de amenizar o nosso problema. É aquele do não distante inicio do texto. Mas enfim, vamos para a tentativa de argumentação que não vai servir de muitas coisa, mas se faz necessária, ao menos pra mim.
Há texto do Guimarães Rosa, que tá no livro “O grande sertão: veredas” que diz o seguinte:

Todo caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica demais - a gente levanta, a gente sobe, a gente volta!... O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. 

Pois é. Nessa fase a gente tá nos dias que tudo embrulha e nada tá certo. Trabalho? Deu ruim!amigos? Não tão dando conta! Família? Aquela confusão de sempre! Projetos? Nem sei direito por onde vão! Vida sentimental? Ahn que isso!

e o resumo da opera é este: Tá tudo errado e de ponta a cabeça. Há cerca de dois meses quando tudo estava pior, sim estava pior, fiz um exercício. Coloquei todos os meus problemas, ou ao menos os que eu julgava serem problemas porque a gente nunca sabe direito onde eles estão, numa folha de papel. Coloquei-os lá aleatoriamente conforme vinham à cabeça e  depois os numerei segundo o grau de importância que eu tava dando naquele momento pra cada. Surpresa. O que mais estava me neurando era o ultimo da lista. Estratégias do subconsciente? Pode ser, mas ajudou e depois uns dias de batalha de batalhas mentais fiquei com nove problemas, porque ele era o décimo.

Eliminei um problema. Que vitória. Agora tenho nove problemas. Continuo com nove problemas. Passaram dois meses. Tenho nove problemas. Ainda tenho nove problemas. Que merda nove malditos problema. Sou um fracasso!

A vida embrulhou de novo sem ter desembrulhado completamente. E acredite esse não é a pior parte. O texto começou com a palavra recorrente e não foi à toa. Erros são recorrentes, alguns mais que outros, alguns demoram a passar, outros demoram a reaparecer, uns somem que a gente nem percebe e alguns a gente já até aceitou, mas o fato, a verdade e o que é definitivo é  eles sempre voltam. 

Se não bastassem nove problemas, acho que ganhei mais um de novo. Dez problemas e o décimo agora é muito mais complexo: a recorrência dos problemas. 

Meu décimo problema foi perceber é que sempre caio nos mesmos problemas, ou seja, o problema tá em mim. Simples assim. Me livrei de um problema e então de repente, do nada e espontaneamente, eu vou atrás do mesmo problema programadamente, conscientemente e planejadamente de acordo com toda a loucura que cabe dentro de mim.

Devia ter avisado no início do texto que seria um desabafo, ou seja, não chegaremos em conclusão nenhuma. Agora avisados, voltemos...

A gente vai, volta, vive a vida e segue os dias, mas parece que nada tem cor, nada tá no lugar certo e como diria Guimarães “tudo tá embrulhado”. Mas o que fazer? Ninguém sabe! Acho que é por isso que a gente recorre aos recorrentes erros, talvez seja uma tentativa de dar fôlego novo pra vida. 

Tenho a impressão que talvez esse seja o lance. Ora, erra não é humano? Talvez esses erros constantes, espódicos e insuportáveis burradas que a gente insiste em recorrer em horas de embrulhamentos de vida sejam o que nos tornam mais humanos. DEUS, que bobagem! Não pode ser isso. Parei, preciso de um analista! Tchau.

Ps. Não ouça a música, pela atenção obrigado!





quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Uma pequena oração

Que Deus mande pra longe de mim toda gente chata
e que junto com ela vá toda língua partida,
todo dedo que aponta,
todo coração duro e
toda mente fechada.

Perto de mim quero que fiquem só as mentes felizes,
livres, de bom humor e bem resolvidas.

Aos chatos deixo meu lamento
e sinceros votos de conversão,
porque ainda espero que haja cura para chatice.


Amém!




sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Poema de uma pessoa só

Eu fui passagem e ele caminho
enquanto era brinquedo, ele parque de diversão
eu auto-ajuda, ele ficção.
Eu era o mpb, ele rock n roll.

De sisuda acabei só
sem vontade de tentar,
escrevendo esse poema
para tentar aliviar.

Querendo dizer que sim,
acabo de pensar
que ele ainda é banho de mar,
eu não caibo mais em mim.

Mas coração tem que ser cuidado,
antes ferido que quebrado
Por que paixão com pressa é
é comida requentada.




sábado, 29 de agosto de 2015

E se a gente fosse honesto com os nossos sentimentos?


A vida é arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida”, Vinícius de Moraes.

Não seria tudo mais fácil se a gente tivesse coragem de dizer eu te amo, to apaixonado, te odeio, és meu melhor amigo, queria estar com você, preciso ouvir tua voz, some da minha vida, preciso de espaço, eu não gostei da sua atitude, vamos conversar? frases simples, mas todo mundo entende a dificuldade delas.

Como diz o poetinha, nossa vida é baseada em encontrar pessoas e desencontrá-las. Desde que a gente nasce, vai para escola, depois tem a faculdade, o trabalho e por toda a vida seguimos encontrando pessoas. É isso que nos deixa ter vida. Algumas vezes a gente gosta, outras odiamos, de vez em quando é uma colega de escola, por vezes amamos, nos apaixonamos e por ai vai. São sentimentos, sentimentos e mais sentimentos e tudo envolve pessoas, mas quantas vezes nos permitimos falar “ ei coisinha te amo”?

Parece sinal de fraqueza, né!?

Se é para dizer que não gostou de alguma coisa caímos no prepotente “não queremos magoar ninguém”, mas nos esquecemos de nós. Isso é o estopim de uma bola de neve que só tende a aumentar com sentimentos ruins que vão crescendo dentro do peito e qualquer faísca faz ela rolar barranco a baixo levando tudo e todo mundo. Quando é ao contrário, queremos expressar coisas genuinamente boas, vem a maldita vergonha de parecer bobo. E é ai a vida passa e perdemos a oportunidade de fazer uma pessoa feliz e de ficar feliz.

Nos últimos anos algumas perdas me atentaram para isso. Por que não conseguimos nos expressar?

Não sei de quem é a frase, mas uma vez li que “coração mole, vida dura. Tanto sofre, até que muda”. E o que me chama atenção nisso é que o que deixa a vida dura é a falta de honestidade com os nossos sentimento e nossa incapacidade de expressá-los.

Porra, que vida escrota essa essa que não se pode dizer eu te amo sem ser auto-julgado como bobo? Sim auto-julgado porque são sentimentos que nunca saíram e morrem na ponta da língua. Por que raios que eu não posso dizer que não gostei de alguma coisa que alguém fez sem pré julgar que vou ferir o frágil coração de alguém?

As vezes não. Nem sempre vamos magoar e muitas vezes não vamos ser o amor da vida de alguém... Mas tenho a impressão de que isso não deve ficar guardado, não pode ser enterrado no peito, aliais, coração não deve ser cemitério de sentimento!

Uma hora as pessoas vão embora! Seja pra outra cidade, seja pelo distanciamento da vida, ou até mesmo pela morte. Não sei vocês, mas acho que não estou mais disposto a guardar. Quero seguir meus dias com a leveza e a certeza de que sorri para as pessoas certas, que pude dar abraços apertados, que amei, de que me irritei e que disse isso para pessoas que cruzaram meu caminho e me ajudaram de alguma forma a construir minha história.

Certo de que muitos desencontros virão, não quero mais sobre mim o peso do “Por que tu não falaste?”


E acho que é assim que tenho descoberto o que me da paz!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

As coisas que acontecem comigo nem sempre cheiram bem.

Era sábado de manhã. Pro tanto que eu estava cansado, dez horas pareciam cinco e meia da manhã de um domingo chuvoso de férias, mas mesmo assim, sabe Deus de onde tirei forças e fui pra academia. Chegando lá fui com a personal pra trocar minha série.

Puxa ferro, bebe água, levanta ferro, faz pose comprometedora levantando pesos, enfim tudo normal. Faltando uns dois aparelhos, a personal chega pra mim e diz:

- Tive um contratempo terei que sair, mas esse professor lhe acompanhará

- Sem problemas. Respondi.

Levanta o ombro, dobra os joelhos e puxa... Olha a postura.

- Pronto, acabei. Disse.

- Vem cá, agora é uma série de abdominal canivete.

O acompanhei. Ele pegou a esteira, tirou as coisa do bolso e deitou.

- Vais fazer assim. UM, DOIS... (No terceiro, ao invés do numero três) PUM (onomatopeia usada para reproduzir em forma de palavra escrita um som daquele peido que sai com a pretensão de ser silencioso mas não é)

Ele se aproveitou pq eu estava de fones de ouvido e com esse pretexto a situação acabou ali. Eu fazendo cara de que não ouvi e nem senti nada, ele com cara de constrangimento velado e a senhora lá atrás com cara de que fedeu misturada com cara de segurando muito o riso.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

No tempo do tempo


Uma hora a gente quer que ele vá rápido,
depois a gente pensa que se for devagar dá pra curtir melhor,
mas bom mesmo é quando a gente se dá conta
Que pela sua própria conta ele caminha.

Caminha!
mas caminha no teu tempo tempo
e ensina-me a caminhar.
Que cada dia aproveitar-te
e viver-te em teu próprio tempo
seja minha lição.

Caminha!
E me mostra que tuas marcas,
Sejam sempre, nada além de marcas,
Marcas de vida.


Viva ao tempo
e viva-o em tempo de viver!

domingo, 22 de junho de 2014

Pelo silêncio

A velha grita
A criança chora
O cão late
O galo canta
O vizinho grita
O carro passa
O avião voa 
A panela chia

Ahhhh 
Buá
Au
Ehhhh
Vrum
Zum
Xiiii

A velha grita
A criança chora
O cão late
O galo canta
O vizinho grita
O carro passa
O avião voa 
A panela chia

Tudo dói
repete
cansa
enlouquece
envelhece
adoece.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Precisamos de Irmãos



Eu preciso de canções e amigos
De amor, de flores de abrigo
Numa astronave de papel

Preciso bater um papo com Caetano
Cometas com caudas de pano
Correndo tristes pelo céu
Há flores vagando incertas pelo espaço
São flores de titânio e aço
Que aumentam a cada semana
As flores há muito tempo cultivadas
Por muitos sonhos cultivadas
São russas ou americanas

Preciso fazer um pouco de sucesso
Não posso fumar meu progresso
Dependo de muito cantar
Eu quero a cor azul da aventura
Eu quero alguma coisa pura
Talvez eu não vá encontrar

Sei de sóis e de desertos frios
De mundos pálidos, vazios
De beijos e amores vãos
De estrelas
Caminhos novos vou seguindo
Chorando, dizendo, sorrindo
Que precisamos de irmãos
Que precisamos...


domingo, 15 de dezembro de 2013

O que há


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

domingo, 10 de novembro de 2013

A tarada do Bom Jesus

Bom Jesus de Braga. Foto: Raphael Marinho


Há tempos que queria escrever sobre os malucos de Braga. Acho engraçado. Sei lá, uma cidade pequena com tantos malucos. Bom, mas para começar, vou falar dela: MANUELA (imaginar som e voz sensual).

Nossa história de amor, traição e sensualidade começou no início da primavera de 2012. Tudo lindo, novas possibilidades de sol e a vontade de perder os quilos do inverno me fizeram fazer caminhadas ao Bom Jesus. Aos que não conhecem o santuário de Braga, saibam que é lindo. Fica no topo de um monte e tem uma escadaria de centenas de degraus, CEN-TE-NAS, mas no final, ao chegar lá em cima, logo nos deparamos com um linda paisagem. Vê-se tudo de lá . Braga, os monte que  rodeiam a cidade e todo o restante do complexo que é o Bom Jesus que por si só, é encantador. E numa dessas idas que encontrei com ela.

Foi assim... 

Lá estava eu, sentado depois de longos e cansativos degraus. Enquanto ouvia minhas músicas, mais precisamente a última faixa do acústico MTV da  Rita Lee, que era o tempo exato da minha casa  até o Bom Jesus, e, foi quando ela sentou-se ao meu lado.

- Boa tarde!

Com um gentil sorriso retribuí :

- Boa tarde!
- És brasileiro?

Mais um sorriso e ai tirei os fones do ouvido:

- Sim.
- Logo se vê pelo sorriso, disposição...

Mais um sorriso, não como antes, mas agora aquele ar meio constrangido e acompanhado do recolocamento dos fones.

- Ah, obrigado.

Minutos de embaraço e constrangimento. Entretanto ela não desistia e a conversar ganhou um novo ar... Ousada aquela Manuela, ousada...

- Belo sorriso... brasileiros pah! Olha, é, vou eu lá no banheiro, tenho que ir ao banheiro se quiseres...

Agora o “sorriso” era com o ar de espanto, uma certa tensão e um total estranhamento. Ora, afinal toda essa história era novidade. Não sou acostumado com uma mulher como a Manu dando em cima de mim e com um convite tão indiretamente direto como aquele.
Nessa hora o sorriso já tinha ido embora, apenas os lábios ligeiramente aberto numa mistura de espanto com sei lá o que. E ela:

- Bom, logo vi, mas isso é pra si.

Um papelzinho com telefone, corações e o nome Manuela escrito em letras de forma. Foi assim, peguei, sorri e ela foi embora se despedindo com um sorriso que, segundo minha interpretação, significava um último convite.

Não fui. Peguei o papelzinho, esperei um tempo pra ela se distanciar e voltei. Tudo o que eu queria era minha casa naquele momento. E como era de se esperar,  a partir daquele dia meu relacionamento com o Bom Jesus nunca mais foi o mesmo. Fui lá outras vezes e recentemente encontrei como ela novamente. Dessa vez, a interação foi menos intensa e constrangedora na mesma.

O que eu esqueci de mencionar é que Manuela, ou Manu, como eu a chamo, é uma senhora de uns 60 e tantos anos. E pelo o que me consta, não fui a única vitima daquela sedutora mulher de terceira idade, outras pessoas, inclusive amigos – sim amigos, ela foi capaz de cantar meus amigos. Como ela pôde? Traidora - foram vítimas das palavras de encantamento daquela sex machine with experience.

E é assim foi... a história daquele dia que mudou a minha vida. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Os agradecimentos


 “I’d like to do a song of great social and political import”, Janis Joplin.

Não há como fugir do cliché de dizer que um trabalho como este não foi feito por uma única pessoa, apesar de ter sido eu que o escrevi. Mesmo tendo a certeza que foi um trabalho resultado de um coletivo, fica impossível neste espaço falar de todas as pessoas que contribuíram e muito menos expressar meus sentimentos de gratidão.

Mas seria impossível deixar de agradecer a Professora Helena Sousa, minha orientadora, que desde o início demonstrou apoio ao meu estudo, contribuindo grandemente para o amadurecimento reflexivo das coisas que acredito e que vão muito além das teorias estudas na academia. Bem como, o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, que é composto por um excelente corpo docente e uma forma de trabalho com a qual tive identificação desde os primeiros dias aqui.

Dentro desse Instituto não há também como não falar da equipe de investigadores do projeto  “A Regulação dos Media em Portugal: o Caso da ERC”, que diretamente, com conversas casuais e formais, e indiretamente com o acervo bibliográfico produzido por eles, ajudaram em todo o processo de escrita desta dissertação. Além da Professora Helena Sousa, que coordena o projeto, um agradecimento especial para meus amigos Sergio Denicoli e Marta Eusébio que foram especiais contribuintes neste trabalho.

E esses dois anos longe de casa, só aumentaram a minha admiração, respeito e amizade por minha família. Por isso, obviamente quero agradecer aos meus melhores amigos, que por coincidência são meu pai, Carlos Alberto; minha mãe Raquel Marinho; e meu irmão Rangel Marinho. Mas não poderia deixar de falar dos meus tios, intercessores e amigos, Nubia e Eliel Pereira, meus irmão de fé que me ajudaram com suas orações de força e sabedoria durante todo esse não tão fácil esse período.

Curiosamente tenho muitos amigos e sem eles seria impossível fazer qualquer coisa que seja. Então queria agradecer imensamente aos corações incríveis que encontrei em Portugal, que se tornaram parte fundamental da minha vida e foram e sem dúvidas, pilares de carinho, sabedoria e não enlouquecimento. Não vou citar nomes para não cometer injustiça, mas tenho a certeza que ao lerem cada um se identificará e muitas boas histórias e risadas virão a toma.

Não poderia deixar de agradecer também aos meus amigos que ficaram no Brasil, ou que estão em algum outro canto do mundo. Mesmo com a distância tenho certeza que torceram por mim e foram fundamentais nesse processo, por isso sou eternamente grato pelo companheirismo e amizade de cada um.

Por último e não menos importante, sinto a necessidade de agradecer a cidade de Braga e a esse incrível país que é Portugal. Fui muito bem acolhido e respeitado por esse país de grandes riquezas culturais, gastrómicas e com uma linda capacidade de receber todos os estudantes que para cá vem. Obrigado por tudo.

A música (que óbvio não está lá):


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

2 anos por aqui


03 de Outubro, uma data que vai ficar em definitivo na minha memória, um marco de muitas mudanças. Na bagagem? Levo certamente uma outra vida, outros paradigmas e novos pensamentos. Em 2011, nesse mesmo dia chegava à Braga. Com muitas perspectivas para o mundo universitário e sem a mínima dimensão do que seria mudar de cidade por dois anos. E o que aconteceu? UMA CONFUSÃO. Sim, foi o que aconteceu na minha vida desde que cheguei aqui.

No mundo universitário nada de muito inovador aconteceu. Assisti aulas, fui à seminários, fiz contatos, escrevi artigos, participei de um projeto muito legal e o instituto do qual faço parte tem tudo o que eu precisava e de certa forma esperava. Assim como a própia universidade que faço parte, não tem do que reclamar. A Universidade do Minho tem excelentes refeitórios, a biblioteca tem um mundo de livros de múltiplas áreas, tem uma vista linda para os principais pontos turísticos e até a academia/ginásio me conquistou.

Mas o real fator de mudanças e o que me encantou, esteve no turbilhão de sentimentos que são recorrentes, acho eu, para quem ta em outro país. É como se fosse um outro mundo e em Braga que é uma cidade universitária existem peculiaridades fantásticas. São constantes encontros e despedidas que acrescentam alegria e levam pedaços. E que encontros! Pessoas incríveis que vou levar, nem que seja na memoria, pro resto da vida. Algumas farei mais do que questão de guardar como amigos chegados, pois é na hora do aperto financeiro, sentimental e todos os apertos que passamos por não estar em casa, que conseguimos descobrir algumas pessoas INCRÍVEIS. Muitas pessoas boas, algumas são de Belém, algumas do restante do Brasil, uns tugas e alguns de outros países, todas, sem dúvidas, me mudaram intensamente de alguma forma.

Se virar. Mudar. Aprender. Viver. Tanta coisa que mudou, são uns 100 anos em dois, é tipo um curso intensivo de vida. Lições que vão da organização de uma casa à capacidade de relacionar-se com pessoas completamente diferentes, mas que só pelo de serem brasileiros criar um fator ímpar de igualdade que nos uni, se fosse paraenses então... Égua, era perfeito.

Esses aprendizados foram muito facilitados por terem sido feitos em Braga, que é surpreendente. Uma cidade pequena, pacata, cheia de contradições e com um estranho número de malucos por metro quadrado. Uma cidade com um tempo completamente diferente de Belém que acorda às cinco da manhã, às sete já tem um transito infernal e as oito é praticamente parada. Braga é paz de espírito.

Apesar de achar que o maior aprendizado é o que esta por vir. A despedida. Acredito que envelheci uns anos anos aqui, envelhecer no sentido de adquirir experiencia, aprendizado e compreensão nova para algumas velhas questões.

E no inicio do verão, há alguns meses atrás, já com saudades antecipadas, saí e fiz umas fotos de alguns lugares que estarão eternamente na minha memoria.


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

E antecipou-se...



Ou cheio de amor,
ou cheio de poesia.
Assim escreve-se bonito.
Não por estar ou ser,
que me encho de escrita bonita,
e sem saber escrever digo:
saudades antecipadas
é sofrimento escolhido sofrer
é dor de ir ou ficar
mas querer ficar ou ir
ao compasso de que se percebe
o peso das asas
que nasceram com a vontade de ir
e descobriram o desejo de voltar
ficar,
estar e
ser
o que se pode ser.
Enfim...
Escolhido, sempre é escolhido,
e o que tem que ser sempre terá mais força.

domingo, 11 de agosto de 2013

Meu maluco


Minha foto preferida

Já conheço ele tem uns vinte tantos anos. E em cada ano gosto mais desse senhor, o nome dele? Carlos Alberto Corrêa de Carvalho, meu pai. Um senhor um tanto peculiar, um homem diferente, um pai único e ser especial.

Pode parece clichê da distância, mas ele me faz uma falta gigante. Domingos, aliais, finais de semana são sempre mais divertidos com ele, são jargões, “E”ditados populares, churrasco e o irritante cheiro de comida desde às seis da manhã, que compõem cada sábado e domingo na minha casa graças à ele.

Hoje, no Brasil, é dia dos pais, e por coincidência é o aniversário dele. Obviamente, pela distância, não posso não fazer nada e como não posso estar com ele, que ao menos um texto e umas fotos sirvam de homenagem ao meu PAI.

Não tenho como descrever ele. É um homem de quase 50 anos de idade, que consegue manter uma felicidade genuína, e apesar de todas as coisas – coisas da vida – continua sendo simples, feliz e com uma estranha pureza, que é o que mais me fascina nele. E um ser diferente, e como minha mãe, meu irmão e eu, é um peixe fora d'água, inconformado, não rancoroso por isso e estranhamente feliz.

Amo meu pai, que em toda minha vida, e talvez sem saber, meu deu vários exemplo. Ele nunca foi aqueles pais de filmes que sentam na poltrona e te dão concelhos, pra mim, foi muito melhor, me deu exemplos. Exemplos, de como me divertir, como ser um homem respeitador, como amar a família e de como as pessoas são diferentes, e por isso, a gente não pode cobrar ninguém a ser igual a nós.

Meu pai da pedagogia hardcore
Diferente ao ponto de fazer bullying com meu irmão e comigo e conseguir a façanha de não nos deixar traumatizado. E com a pedagogia dele a ensinar que a vida não deve ser levada tão a sério, e que mesmo que você seja um adolescente que ao chegar na escola, abre a mochila e encontra um urso de pelúcia que fora colocado por seu próprio pai enquanto você tomava o café da manhã, não lhe deve estragar o dia. E um sorriso, seguido da frase “papai é maluco”, nunca me fez, e nem me fará, sentir vergonha do meu urso de pelúcia.

Ele me faz ter vontade de ser pai. Não, não vou me vingar, mentira que talvez sim, pois como já disse curiosamente pareço muito com esse maluco. Mas, por causa dele e dessas pequenas coisa, vejo que a paternidade pode ser muito divertida e ter filhos pode ser um exercício de melhoramento do mundo.


Então é isso pai, um feliz aniversário, um feliz dia dos pais e que tudo de melhor nesse mundo ainda possa acontecer com o senhor. Te amo, e sem hipocrisia, quero sim, ser um homem respeitador, companheiro, amigo, responsável e bom pai, igualzinho como lhe vejo: imperfeitamente perfeito como todos devemos ser dentro das nossas peculiaridades.

PAI com caps lock
MINHA FAMÍLIA em caps lock