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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Às vezes acontece

Saudade é coisa que vem. Às vezes a gente tá bem, fazendo as coisas do dia-a-dia, então, do nada ela vem. Palavra chata, confusa, que alegra e entristece ao mesmo tempo. Quase dois anos longe de casa, e hoje, sem dúvidas, acho que é o dia que eu mais to com saudades.

Uma vontade enorme de me teletransportar.

Saudades do Brasil em Portugal

O sal das minhas lágrimas de amor
Criou o mar que existe entre nós dois
Para nos unir e separar
Pudesse eu te dizer
A dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração nesta paixão
Que não tem fim
Ausência tão cruel
Saudade tão fatal
Saudades do Brasil em Portugal

Meu bem, sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento
Sou eu em solidão pensando em ti
Chorando todo o tempo que perdi
Vinicius de Moraes


Mas saudade é a tristeza de ter longe a alegria de ter perto alguém que se ama. E ter alguém que se ama, longe ou perto, é ter alguém para amar, e não há felicidade maior que essa. Agora é curtir essa tristezinha e continuar com os trabalho.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A impontualidade do amor


Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

Martha Medeiros

terça-feira, 9 de abril de 2013

24 anos de mudanças e aprendizados

Alma Serena

Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.

Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.

Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.

Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.
Fernanda de Castro 


Aprender e mudar. Acho que esses foram os verbos que guiaram minha vida até hoje. Sempre achei que 24 anos seria o início da fase adulta, como se fosse uma idade de passagem (aos brasileiros: piadinhas com a idade são desnecessárias). Não sei bem o porquê, mas desde de pequeno penso assim, apesar de ter sido uma criança que não gostava muito de me imaginar adulto e sempre achar que isso estaria relacionado com o trabalho (verbo chato), mas era assim que pensava, e cá estou.

Hoje, 9 de abril de 2013, percebo que bem provavelmente estava certo. Acho que do ano passado até hoje, houve uma mudança, para não dizer amadurecimento (palavra que ainda me dá medo), tão intensa e profunda comigo, que nem sei se consigo dimensionar, e no meio dessas mudanças, há um mundo de duvidas e questionamentos que ainda precisam ser feitos e resolvidos, mas de fato dentre eles há algumas certezas e convicções e a que acho que mais me marcou esse ano foi há que MUDEI.

Isso, mudei. Se não fosse minha fé e minha família, arriscaria em dizer que sou uma pessoa completamente diferente. Em uma lógica simples acho que aprendi e por isso fiz uma pequena lista de algumas coisas que me fizeram crescer. Algumas tristes, MUITAS felizes e todas importantes.

Aprendi que...

Aprender é um processo infinito;
A fé que eu tenho é fundamental na minha vida;
Não tenho tantos amigos;
Não posso confiar tão rapidamente nas pessoas;
Minha intensidade não é a mesmas das outras pessoas;
Abraçar é um dom;
Não preciso de muito para ser feliz;
Não há motivo para guardar sentimentos, por mais que custoso que seja expressá-los;
Não tenho mais medo de ficar velho;
A vida é curta;
Existe muita gente hipócrita nesse mundo;
Ser calmo é melhor;
Sou capaz de mudar de opinião;
Tenho que dar mais ouvido a minha intuição;
Ajudar não é viver o problema dos outros;
Ajudar não é um ato de exímia bondade;
Nada me encanta mais do que demonstrações verdadeiras de afeto;
Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza;
Gosto de pimenta;
Ainda não aprendi a lidar com pessoas clichês demais;
Gosto de gatos e cachorros;
Quero muito ser pai;
Ficar só é a melhor forma de ouvir-se;
Não preciso ter tanta pressa;
Dizer não sei pode ser muito bom;
Não preciso ser grosseiro;
Amo dias de sol;
Tenho coragem;
Tenho uma missão;
Posso ser mais amável;

Enfim, muitas cosias aprendi e muitas delas estão mudando minha vida, e para terminar esse texto trago duas músicas, uma do Arnaldo Antunes (que aprendi que gosto muito) e outra da Sinead o'connor (que eu sempre gostei). É isso, eu me sinto muito diferente e “não há o que lamentar quando chega o fim do dia”, apenas nos resta é aprender e tirar boas lições de tudo.


domingo, 24 de março de 2013

Abrace


“Acto de abraçar, de apertar entre os braços, geralmente em demonstração de amor, gratidão, carinho, amizade, etc.”

Assim falou-me o dicionário, e por isso eu digo e afirmo: nada como um abraço. Acho ele é uma simples expressão que consegue transmitir um mundo de sentimentos. Um simples abraço é capaz de exorcizar, trocar energias, aliviar, aclamar, purificar e deixar as pessoas mais próximas.

Gosto de abraçar, aperto de mão é para os fracos. O abraço é o olá perfeito e um até logo delicioso. Basta ter o mínimo de sensibilidade para perceber e interpretar os sentimentos que se passam entre os braços das pessoas que gostam da gente, ou das fingem. Um abraço bem dado não engana, nele percebe-se a sutileza do que as vezes não se quer falar.

Abraçar é parear corações, aproximar rostos, sentir a respiração, o pulsar do coração e quando tem o tapinha nas costas e beijinho no rosto torna-se muito mais que perfeito.

Então é isso: abrace sem vergonhamente, intensamente, apaixonadamente, abrace por inteiro, como se cada abraço fosse o último. O ultimo com gosto de até logo, e abrace na proporção das virgulas chatas desse texto chato.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cada um têm seus vícios



Gosto de dengo,
sou manhoso,
carinho é meu vício e
um abraço me dopa.

E nessa vida,
busco apenas
o alucinogénio perfeito.
Não que ache que vá encontrá-lo.

Mas nada me impede,
de insistentemente,
procurá-lo.

Nessas buscas alguns arranhões,
cicatrizes e muitos sorrisos.
Carinho é meu vício,
e um abraço em endoida!  

segunda-feira, 11 de março de 2013

Samba e amor


Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão

Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.
Chico  Buarque

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Anseios e It's oh so quiet



 Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!

Não estendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar!...

Florbela Espanca


It's oh so quiet
It's oh so still
You're all alone
And so peaceful until...

You fall in love (zing! boom!)
The sky up above (zing! boom!)
Is caving in (wow! bam!)

You've never been so nuts about a guy
You want to laugh, you want to cry
You cross your heart and hope to die

'til it's over and then
It's nice and quiet
But soon again
Starts another big riot

You blow a fuse (zing! boom!)
The devil cuts loose (zing! boom!)
So what's the use (wow! bam!)
Of falling in love?

It's oh so quiet
It's oh so still
You're all alone
And so peaceful until...

You ring the bell (bim! bam!)
You shout and you yell (hi ho ho!)
You broke the spell

Gee, this is swell, you almost have a fit
This guy is gorge and i got hit
There's no mistake : this is it

'til it's over and then
It's nice and quiet
But soon again
Starts another big riot

You blow a fuse (zing! boom!)
The devil cuts loose (zing! boom!)
So what's the use (wow! bam!)
Of falling in love?

The sky caves in
The devil cuts loose
You blow, blow, blow, blow, blow your fuse
Aah!
When you fall in love
Björk