“A vida é arte do
encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida”,
Vinícius de Moraes.
Não
seria tudo mais fácil se a gente tivesse coragem de dizer eu te amo,
to apaixonado, te odeio, és meu melhor amigo, queria estar com você,
preciso ouvir tua voz, some da minha vida, preciso de espaço, eu não
gostei da sua atitude, vamos conversar? frases simples, mas todo mundo entende a dificuldade delas.
Como
diz o poetinha, nossa vida é baseada em encontrar pessoas e
desencontrá-las. Desde que a gente nasce, vai para escola, depois tem a faculdade, o trabalho e por toda a vida seguimos encontrando pessoas. É
isso que nos deixa ter vida. Algumas vezes a gente gosta, outras
odiamos, de vez em quando é uma colega de escola, por vezes amamos,
nos apaixonamos e por ai vai. São sentimentos, sentimentos e mais
sentimentos e tudo envolve pessoas, mas quantas vezes nos permitimos
falar “ ei coisinha te amo”?
Parece
sinal de fraqueza, né!?
Se
é para dizer que não gostou de alguma coisa caímos no prepotente
“não queremos magoar ninguém”, mas nos esquecemos de nós. Isso
é o estopim de uma bola de neve que só tende a aumentar com
sentimentos ruins que vão crescendo dentro do peito e qualquer
faísca faz ela rolar barranco a baixo levando tudo e todo mundo.
Quando é ao contrário, queremos expressar coisas genuinamente boas,
vem a maldita vergonha de parecer bobo. E é ai a vida passa e
perdemos a oportunidade de fazer uma pessoa feliz e de ficar feliz.
Nos
últimos anos algumas perdas me atentaram para isso. Por que não
conseguimos nos expressar?
Não
sei de quem é a frase, mas uma vez li que “coração mole, vida
dura. Tanto sofre, até que muda”. E o que me chama atenção nisso
é que o que deixa a vida dura é a falta de honestidade com os
nossos sentimento e nossa incapacidade de expressá-los.
Porra,
que vida escrota essa essa que não se pode dizer eu te amo sem ser
auto-julgado como bobo? Sim auto-julgado porque são sentimentos que
nunca saíram e morrem na ponta da língua. Por que raios que eu não
posso dizer que não gostei de alguma coisa que alguém fez sem pré
julgar que vou ferir o frágil coração de alguém?
As
vezes não. Nem sempre vamos magoar e muitas vezes não vamos ser o
amor da vida de alguém... Mas tenho a impressão de que isso não
deve ficar guardado, não pode ser enterrado no peito, aliais,
coração não deve ser cemitério de sentimento!
Uma
hora as pessoas vão embora! Seja pra outra cidade, seja pelo
distanciamento da vida, ou até mesmo pela morte. Não sei vocês, mas
acho que não estou mais disposto a guardar. Quero seguir meus dias
com a leveza e a certeza de que sorri para as pessoas certas, que
pude dar abraços apertados, que amei, de que me irritei e que disse
isso para pessoas que cruzaram meu caminho e me ajudaram de alguma
forma a construir minha história.
Certo
de que muitos desencontros virão, não quero mais sobre mim o peso
do “Por que tu não falaste?”
E
acho que é assim que tenho descoberto o que me da paz!
Era sábado de manhã. Pro tanto que eu estava cansado, dez horas pareciam cinco e meia da manhã de um domingo chuvoso de férias, mas mesmo assim, sabe Deus de onde tirei forças e fui pra academia. Chegando lá fui com a personal pra trocar minha série.
Puxa ferro, bebe água, levanta ferro, faz pose comprometedora levantando pesos, enfim tudo normal. Faltando uns dois aparelhos, a personal chega pra mim e diz:
- Tive um contratempo terei que sair, mas esse professor lhe acompanhará
- Sem problemas. Respondi.
Levanta o ombro, dobra os joelhos e puxa... Olha a postura.
- Pronto, acabei. Disse.
- Vem cá, agora é uma série de abdominal canivete.
O acompanhei. Ele pegou a esteira, tirou as coisa do bolso e deitou.
- Vais fazer assim. UM, DOIS... (No terceiro, ao invés do numero três) PUM (onomatopeia usada para reproduzir em forma de palavra escrita um som daquele peido que sai com a pretensão de ser silencioso mas não é)
Ele se aproveitou pq eu estava de fones de ouvido e com esse pretexto a situação acabou ali. Eu fazendo cara de que não ouvi e nem senti nada, ele com cara de constrangimento velado e a senhora lá atrás com cara de que fedeu misturada com cara de segurando muito o riso.