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terça-feira, 28 de agosto de 2012

E por aí fui...



Ando por aí,
vivo o tempo,
aprendo coisas
e conheço gente.

Histórias de vida,
loucuras, amores
e coisas e tais.
Viver é conhecer.

Como deixar o lapís a correr,
a medida que o pensamento vem.
Eu ando por aí e conheço gente.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ain't Got No / I've Got Life



Ain't got no home, ain't got no shoes
Ain't got no money, ain't got no class
Ain't got no friends, ain't got no schooling
Ain't got no work, ain't got no job
Ain't got no money, no place to stay

Ain't got no father, ain't got no mother
Ain't got no children
Ain't got no sisters or brothers
Ain't got no earth, ain't got no faith
Ain't got no church, ain't got no God
Ain't got no love

Ain't got no why, no cigarettes
No clothes, no country
No class, no schooling
No friends, no nothing
Ain't got no God

Ain't got no earth, no water
No food, no home
I said I ain't got no clothes,no job
No nothing
Ain't got ...
And I ain't got no love

Oh, but what have I got?
Oh, what have I got?
Let me tell you what I got
And nobody's gonna take away
Unless I wanna

I got my hair, on my head
My brains, my ears
My eyes, my nose
And my mouth, I got my smile

My tongue, my chin
My neck, my boobs
My heart, my soul
And my back
I got my sex

I got my arms, my hands
My fingers, my legs
My feet, my toes
And my liver
Got my blood

I got life, I've got lives
I've got headaches, and toothaches,
And bad times too like you

I got my hair, my head
My brains, my ears
My eyes, my nose and my mouth
I got my smile and it's my smile

I got my tongue, my chin
My neck and my boobs
My heart, my soul
And my back
I got my sex

I got my arms, my hands
My fingers, my legs
My feet, my toes
Got my liver
Got my blood

I got life, I got my feet
I've got life

James Rado e Gerome Ragni
por Nina Simone

quinta-feira, 29 de março de 2012

Sons de Portugal


Na minha missão de descobrir o velho mundo, cheguei a uma conclusão que considero muito bem constatada: Portugal é um mundo cheio de culturas e belezas que nós, os brasileiros, ainda não conhecemos.

Dentre os vários impactos que temos ao chegar aqui, o primeiro, que vou usar como gancho inicial desse fabuloso texto, é que os portugueses nos conhecem muito melhor do que nós sabemos deles. Ouvem nossas músicas (por vezes as piores), lêem nossos escritores, assistem as novelas e os filmes, em contrapartida, a última coisa que me lembro de estudar, foi a chegada da família real no Brasil. Esse nosso desconhecimento é a minha explicação para eles nos entenderem (ou perceberem como diriam cá em Portugal) e nós não a eles.

Para além da minha ignorância, nesse primeiro texto, de uma possível - possível pois posso ter preguiça pelo meio do caminho - sequência de posts sobre coisas de Portugal, falarei sobre música.

Como faço tudo escutando musica, resolvi conhecer a música da terra do tio Cabral, e descobri muita coisa legal. Depois da infame rima, continuo dizendo que a música portuguesa vai muito além do Fado, que eu também gosto muito, mas estou falando de música contemporânea, jovem e bem produzida. Dentre os vários, seleccionei dois artistas que tenho ouvido bastante e cantam em português:


Suzana Felix



Com cinco álbuns de estúdio, Suzana tem um estilo bem marcado no pop e uma voz bem delicada. Ela não canta o meu estilo predilecto de música, mas sem dúvida ela é tem excelentes composições e um admirável bom gosto na selecção de repertórios. Tem quase todas as músicas dela no Youtube e nas suas redes sociais:






Torranja


Esse grupo tem algumas características de que eu gosto muito, a voz forte do vocalista, Tiago Bettencourt, o estilo um tanto quanto alternativo das composições e uns videoclipes bem legais e dentro das tendências. São de fato minha, até então, banda portuguesa predilecta. Eles tem, até onde sei, dois álbuns e algumas das músicas estão no MySpace, não encontrei o canal no Youtube, mas na busca encontra-se muitas coisas.

Hoje acredito que o vocalista canta segue em carreira solo, ou está em outra banda, mas pelo visto mantem-se o estilo. As produções podem ser vistas nas redes sociais:


Esse são apenas dois, os meus predilectos, artistas da música portuguesas que, como já disse, tem inúmeros cantores que devem ser conhecidos.

Aqui tem uma dica de blog que coloca muita coisa boa: Musica Portuguesa

PsI. Os “c” extras nesse texto são fruto de uma autocorrecção de um computador comprado aqui.
PsII. Estou com preguiça e não vou tirar.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Foi assim: um dia acordei e estava velho


Sensação estranha essa de começar a perceber que estou ficando velho. Os anos da universidade já passaram e alguns gostos, brincadeiras e modos de perceber a vida já não fazem tanto sentido. O ensino médio e sua tão simples complexidade? Já foi-se há tempos.

Com amigos desse não tão passado, que na época eram inseparáveis e tinham conversas intermináveis, no  hoje,  as interações entre eles já começam pelo dialeto dos avós “naquele tempo". 

O pior de tudo é que quanto mais hoje torna-se ontem, mais a vida passa pelas duras, severas e chatas rédeas da responsabilidade.

Hoje, 09 de Março, falta um mês para o meu aniversário e evidentemente,  EU NÃO VOU ME ADAPTAR!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Solidão


Ó solidão! À noite, quando, estranho, 
Vagueio sem destino, pelas ruas, 
O mar todo é de pedra... E continuas. 
Todo o vento é poeira... E continuas. 
A Lua, fria, pesa... E continuas. 
Uma hora passa e outra... E continuas. 
Nas minhas mãos vazias continuas, 
No meu sexo indomável continuas, 
Na minha branca insónia continuas, 
Paro como quem foge. E continuas. 
Chamo por toda a gente. E continuas. 
Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas. 
Invento um verso... E rasgo-o. E continuas. 
Eterna, continuas... Mas sei por fim que sou do teu tamanho! 

Pedro Homem de Mello

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Inna Modja



Com apenas dois álbuns e 27 anos, Inna Modja, foi considerada a revelação da música francófona 2011. Ainda não tive oportunidade de ouvir os dois álbuns, até agora tive acesso somente ao segundo, no entanto, já me animei bastante. Algumas das música misturam inglês e francês, são bem animadas e ela tem um estilo muito peculiar.

Fugindo das rotas tradicionais de grandes lançamentos da música, Inna, vem da República de Mali, na Africa, onde desde a infância esteve envolvida com a música. Invejavelmente ela cresceu ao som de incríveis referencias musicais, tais como, Ray Charles, Ella Fitzgerald, Otis Redding e Sarah Vaughan.

Passando por vários estilos musicais e experimentando desde a infância, é somente após a universidade, que Inna opta pelo Pop Soul. Seu primeiro albúm, Everyday is a new world, lançado em 2009 ganha notoriedade, assim como a carreira da cantora, após uma apresentação em dueto com Joson Marz, na Fête de la musique.

Realmente me encantei com o estilo, a voz e o ritmo proposto pela cantora, são fortes e tem muitas possibilidades de adaptação. Sempre me animo com coisas que tem possibilidades comerciais e não são mal feitas. Conheça um pouco mais do trabalho dela nas suas redes sociais: Facebook, Youtube, Myspace e no seu site.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Piano

O músico procura
Fixar em cada verso
O cântico disperso
Na luz, na água e no vento.

Porém, luz, vento e água
Variam riso e mágoa,
De momento a momento.

E em vão a área dos dedos
Se eleva! Não traduz
Os súbitos segredos
Escondidos no vento,
Nas águas e na luz.

Pedro Homem de Melo


Minha paixão pelo piano vem desde sempre, nunca consegui tocar, mas sempre fui um exímio admirador da música. Quando tinha por volta dos 10 anos assisti um filme que marcou-me com uma das cenas mais fortes da minha vida. Não vou falar sobre ela para não comprometê-la, mas naquela época, pela minha pouca experiência, o filme resultou-se naquela cena.

Trata-se de um drama de 1993, que conta a história da pianista muda Ada McGrath. O filme passa-se na Nova Zelândia no início da sua colonização, onde a jovem escocesa vai após ter casamento arranjado pelo seu pai. Chegando lá apenas com sua filha de nove anos, roupas, seu piano e sem ao menos saber quem seria seu marido, ela vê-se em um mundo completamente diferente.

Para além das questões de direitos humanos do século XIX, o filme mostra algumas relações de amor, no entanto a mais importante é a de Ada com o seu piano. Muito além de um instrumento, ele tinha uma relação com o pai de sua filha, e nele, ela encontrava uma forma de comunicar-se, expressar-se e extravasar seus sentimentos. Em quase todas as cenas em que a protagonista aparece tocando seu piano, fica-nos claro o êxtase da música e a necessidade em tocar-lo, tal como se fosse um vício, chegando ao ponto de até prostituir-se por ele.


Mesmo tendo sido um filme muito importante pra mim, só o assisti duas vezes, aos 10 anos e, hoje, aos 23. Depois de algumas experiências adquiridas, percebi a riqueza de outras cenas, que aos 10 anos causavam-me mais vergonha do que reflexão.

O filme ganhou alguns dos principais premios internacionais:

Oscar: melhor atriz (Ada McGrath) , melhor atriz coadjuvante (Anna Paquine melhor roteiro original.

Cannes: Pomme D’Or e Premio de interpretação feminina para Holly Hunter.

Globo de Ouro: Melhor atriz para Holly Hunter.

Para finalizar esse é um drama que merece ser visto. É um filme envolvente e muito representativo, são várias cenas fortes que constroem-se a partir de alguns dos mais fortes sentimentos humanos: paixão, amor, raiva e dor.